Tales Alcântara relembra que quase não viajou para Balneário, comemoração por título

e Dia Final inteiro short stack no KSOP Special


O cearense revelou que andava desaminado com o poker antes de participar do evento


Postado por Átala Souza- www.mundopoker.com.br

Há exatamente um ano, o cearense Tales Alcântara sentiu o que era estar no topo do pódio do Main Event do KSOP Special. O festival mais aguardado da King’s Eventos tornou Balneário Camboriú a casa do poker brasileiro no começou de agosto de 2019 Numa disputa eletrizante, o player provou a toda a comunidade do poker e principalmente a ele mesmo que era capaz de conquistar grandes feitos no esporte.


O médico teve uma trajetória incrível, saindo de short stack no início do dia final, até a cravada. Tales não foi chip leader em nenhum momento da decisão, apenas quando conseguiu a virada no heads-up contra o colombiano Dario. A vitória lhe rendeu R$ 720.000 após acordo no 3-handed.


O campeão falou com o Mundo Poker e relembrou seu momento mais inesquecível no poker até hoje. Aqui você vai descobrir o que se passava pela cabeça de Tales na mesa final, como a vitória mudou a vida dele e porque tudo isso poderia não ter acontecido. Confira a entrevista completa abaixo:


MP: Quando você venceu o torneio ano passado, você disse que ainda estava difícil de cair a ficha. Qual foi o momento que você realmente percebeu o que tinha acontecido?


TA: Quando comecei o dia final, acho que tinha o menor stack, ou o segundo menor. Então, apesar de estar tão perto do final, o título do KSOP Special parecia ainda algo muito distante. Quando vi o showdown da última mão do meu adversário, o cansaço era tão grande depois de uma maratona de dias consecutivos jogando poker, que não consegui absorver direito o que estava acontecendo. Até então, minha namorada era a única pessoa da minha família que sabia, e ela não podia acreditar, tanto quanto eu, que eu tinha cravado o Main Event. Na manhã seguinte, quando estava voltando para casa segurando o troféu, mandei mensagem para minha irmã e começamos a conversar. Nessa hora, estava mais calmo e pude ter mais clareza do prêmio que tinha acabado de conquistar.

MP: Você também disse que se sentiu um pouco desconfortável por estar jogando com cartas reveladas. Isso foi um empecilho para você durante a disputa e moldou a forma como jogava de certa forma?


TA: Não diria nem tanto que foi um empecilho, mas confesso que, de certa forma, joguei um pouco diferente do que joguei nos dias anteriores. A gente acaba se sentindo um pouco julgado quando as pessoas podem ter acesso à forma como estamos jogando. Entretanto, o fato de estar com um stack curto numa mesa final tão importante foi o que mais me deixou desconfortável e me fez tomar algumas decisões questionáveis, por assim dizer.


MP: O ME foi bem intenso no KSOP Special e tinha muita gente boa na mesa final. Teve algum momento que você pensou que não daria para garantir o 1º lugar?


TA: Durante a mesa final quase toda (risos). Eu estive muito curto em fichas durante quase toda a FT e, justamente por isso, tentava me segurar ao máximo enquanto assistia aos outros jogadores se degladiarem. O momento que eu fiquei mais tenso foi quando tive que ir all in num flop com dois pares e contra um adversário com uma broca e um flush draw. Nessa hora, achei mesmo que seria o fim.


MP: Naquela época, você fez alguma preparação especial para participar do evento?


TA: Não fiz nada de especial. Na época em que o evento aconteceu, eu andava um pouco desanimado com o poker. Estava jogando pouco e praticamente não estudava mais. Quase não fui. Lembro que comprei as passagens uns dois dias antes do evento. A ideia de ir a Balneário Camboriú foi justamente experimentar algo diferente para tentar retornar ao poker. Fui com a intenção mesmo de me divertir.


MP: Como é carregar esse título importante desde do ano passado? O que mudou na sua vida e o que você aprendeu com essa experiência?


TA: Esse título tornou-se a maior conquista que já tive no poker, tanto on-line como live. Mesmo que por pouco tempo, tive visibilidade nacional no cenário do poker brasileiro pela primeira vez. Ter experimentado isso me devolveu a motivação que eu estava buscando para retornar. Ainda assim, um dos grandes aprendizados que tive foi que uma grande conquista como essa pode esconder muitas deficiências, em se falando de aspectos técnicos do jogo, e isso me deixou mais consciente de que tenho ainda muito para melhorar e evoluir. Em outros eventos que participei, muitas pessoas chegaram para falar comigo e me parabenizar. Disseram que gostaram da forma como eu joguei e enfrentei aquele field. Isso foi algo muito recompensador.


De volta para a minha cidade, Fortaleza (CE), pude comemorar com os colegas e amigos do poker. Saulo Regadas, um dos sócios do KSOP, entrou em contato comigo e fizemos um torneio de comemoração com comida e bebida liberadas. Nos divertimos muito. Lembro que no heads-up cheguei a dar uma mão como dealer. Além disso, depois de uma conquista como essa, meus pais passaram a olhar o poker com outros olhos e consegui ainda mais apoio deles. Essa foi um dos melhores frutos do título. Ainda com o dinheiro do prêmio consegui investir mais na estruturação de uma carreira mais sólida dentro do poker.


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